Av. Cora Coralina

///Av. Cora Coralina
Av. Cora Coralina 2017-10-02T19:20:11+00:00

May 2014

Walk Leader: Ana Carolina Carvalho Farias – Sobreurbana
Text by: Ana Carolina Carvalho Farias
Photographs by: Julia Mariano Ferreira

Em sua inauguração em dezembro de 2013, a Sobreurbana realizou o primeiro Jane’s Walk Goiânia, em seu logradouro sede. Criada para ser um cluster criativo para o desenvolvimento colaborativo de intervenções urbanas, a Sobreurbana tem utilizado os Jane’s Walks como ferramenta para compreender a relação entre o corpo humano e o espaço construído e como forma de promover o engajamento cívico pelas causas urbanas. Já realizou três passeios no St. Sul, bairro onde está instalada e que foi concebido na década de 1930 segundo o modelo de cidade-jardim.

O St. Sul possui uma extensa malha de áreas verdes que permeiam uma ocupação ainda muito residencial, de baixa densidade, alimentada por vielas e cul-de-sacs. No ano de 2000, para desafogar o trânsito de um importante eixo de circulação da cidade, a prefeitura propôs a abertura da Av. Cora Coralina, cortando áreas verdes e abrindo cul-de-sacs no bairro-jardim. A obra foi alvo de muita polêmica e rejeição da população mas acabou sendo executada, com nenhuma efetividade.

Hoje a avenida é um ambiente inóspito e cruel aos pedestres, tomada por estacionamentos privativos e fachadas cegas, com calçadas de largura às vezes inferior a um metro. Assim, como parte de uma pesquisa realizada pela Sobreurbana na avenida, durante o JW as pessoas discutiram sobre a urbanidade e a legibilidade daquele ambiente.

Dezessete pessoas realizaram o passeio e, ao final, dez responderam ao questionário aplicado pela Sobreurbana, cujas respostas revelaram que, apesar de a avenida possuir boa identificabilidade e razoável orientabilidade, ela possui baixa capacidade de atração e de retenção de pessoas, por representar uma ruptura com a identidade urbana local, mas principalmente por oferecer ambientes desconfortáveis às pessoas. Como previsto por Jane Jacobs, a baixa densidade e diversidade, a falta de atrativos e de olhos para a rua, desumanizam e desqualificam o ambiente urbano. A experiência revelou ainda a preocupação dos participantes na deterioração do bairro causada pela implantação da Av. Cora Coralina e estimulou uma relação mais direta entre as pessoas e aquele ambiente urbano, provocando nelas um olhar mais crítico sobre a cidade.

In 2000, to relieve the traffic of an important axis of circulation of the city, the city council proposed the opening of the avenue Cora Coralina, cutting green areas and cul-de-sacs in this garden neighbourhood. The project was the subject of much controversy and rejection by population. Today the boulevard is a cruel and inhospitable environment for pedestrians, taken over by private parking and blind facades, with sidewalks of sometimes less than a meter. Walk participants felt that it represented an uncomfortable environment that ruptured the local identity, and recognized the connection between neighbourhood deterioration, the road’s implementation, and the human decisions involved.