MUdA Setor Sul

///MUdA Setor Sul
MUdA Setor Sul 2017-10-02T19:23:02+00:00

May 2014

Walk Leaders: Dani Fiuza and Sophia Pinheiro of Hábil Produção
Text by: Ana Carolina Carvalho Farias
Photographs by: André Gonçalves

O último passeio do Festival 2014 em Goiânia aconteceu novamente no Setor Sul, seu bairro-jardim. A convite da Sobreurbana, o JW foi conduzido pela Hábil Produção em Arte e Design que nele iniciou o mapeamento da arte urbana local, dentro de seu projeto MUdA. Percorrendo áreas verdes do Setor Sul, o JW discutiu sobre ocupação e apropriação dos espaços públicos, tendo a arte como um agente de transformação na relação entre pessoas e ambientes urbanos. O passeio percorreu áreas desconhecidas por quase todos os participantes, inclusive por moradores do bairro. Na concepção do Setor Sul, seria possível percorrer todo o bairro somente por seus jardins, ‘sem a necessidade de utilização das ruas’. No entanto, a população que veio ocupar o bairro, advinda de cidades tradicionais onde a rua tem um papel fundamental na vida urbana, construiu suas casas de costas para os jardins e de frente para as ruas de serviço, contrariando o planejamento do bairro. O resultado são espaços residuais, cujos limites são formados por fachadas cegas construídas sob forte aparato de segurança: muros altos, grades, cercas elétricas, câmaras de vigilância. O cenário geral é de acúmulo de lixo, mato, vazio e insegurança. Porém, esses extensos muros cegos têm servido de tela para artistas de toda a cidade, que vem ocupar, dinamizar e revelar esse valioso espaço historicamente esquecido pela população. Durante o passeio foi conversado sobre o desperdício que são essas áreas públicas subutilizadas na cidade e a necessidade de revelá-las para que as pessoas as conheçam e por elas se importem. Dos 22 participantes, 18 responderam ao questionário aplicado pela Sobreurbana, cujas respostas continham sempre as palavras descoberta e conhecimento. A experiência do Jane’s Walk permite o contato direto entre as sensibilidades do corpo humano e a cidade, possibilitando o entendimento do contraste entre um ambiente abandonado que têm as edificações todas de costas para ele e um ambiente ocupado, humanizado, adequado para suportar as relações sociais. A aposta é que o MUdA e o Jane’s Walk contribuam positivamente para as discussões que pretendem devolver às pessoas espaços urbanos de qualidade para a interação social.

The last walk of the 2014 Festival in Goiânia once again took place in the South Sector, this time in its neighborhood-garden. In response to an invitation by Sobreurbana, the walk was conducted by Hábil Produçãoem Arte e Design, a group responsible for mapping the local urban art as part of the project MUdA (an artistic occupation project). Touring green areas in the South Sector, the leaders discussed occupation and appropriation of public spaces, proposing art as an agent of transformation in the relationship between people and urban environments. The tour covered areas previously unknown to almost all participants, including residents of the neighborhood itself.

Designed in the 1930s with adherence to the model of the Garden City, the South Sector has an extensive network of green spaces that permeate an area that is mostly low-density residential, fed by alleys and cul-de-sacs. It would be possible to cross all the neighborhoods only through its gardens, ‘without the need to use the streets’. However, new residents in the neighborhood, proceeding from traditional cities where the street has a key role in urban life, built their houses behind the gardens and facing the streets, contradicting the district planning. The result is the production of residual spaces with boundaries formed by blind facades, built under a strong security apparatus: high walls, fences, electric fences, and surveillance cameras. The general landscape is an accumulation of garbage, weeds, emptiness and insecurity. These extensive walls, nevertheless, have served as canvases for artists from all over the city who occupy, energize and reveal this forgotten area.

During the tour, people discussed the waste and underutilization of these public spaces in the city, and the need to reveal them to residents, who could in this way care for them. From 22 participants, 18 answered to the survey applied by Sobreurbana, which consistently included the words discovery and knowledge. The experience of Jane’s Walk establishes a connection between the sensitiveness of the human body and the city. This connection highlights the contrast between an abandoned environment, where buildings face their backs to the spaces, and an occupied, humanized and suitable environment which encourages social relations. Both project MudA and Jane’s Walk’s bet is to contribute to discussions that aim at rescuing urban spaces for the public, spaces of quality which foster social interaction.