Drogas na Cidade / Drugs in the City

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Drogas na Cidade / Drugs in the City 2017-10-06T20:19:08+00:00

May 2015

Walk leader: Diogo Busse

Minha caminhada teve como proposta uma observação sobre a relação entre o uso de drogas e a vida urbana. Na realidade, a proposta tinha como objetivo refletir sobre as drogas na cidade e repensar as visões simplificantes sobre os problemas relacionados ao uso de drogas, que são extremamente complexos e podem ser atribuídos às mais variadas razões. Nesse sentido, pudemos observar que a cidade, quando não bem planejada para ser um ambiente saudável e humano, pode constituir em um convite para a alienação e para o desenvolvimento de relações prejudiciais e destrutivas.

Começamos, como ponto de partida, provocando uma relação entre o uso de drogas e a falta de acesso a atividades culturais, que constituem vias emancipatórias das pessoas. Por isso escolhemos um importante centro cultural curitibano, o Teatro Guaíra, um dos maiores da América Latina.

Na sequência, a ideia era promover a mesma reflexão com relação à falta de acesso a educação, além de discutir a importância de se romper com uma espécie de tabu em torno das drogas. É preciso disseminar uma cultura de educação para as drogas, que leve informação séria e honesta para as pessoas, principalmente para os jovens e seus familiares. Para refletir sobre isso, o ponto escolhido foi o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná-UFPR.
Dali, partimos para a Catedral de Curitiba, no intuito de discutir o uso problemático de drogas e sua relação com a espiritualidade. Logo ao lado, nos dirigimos ao Café do Paço da Liberdade, onde conversamos sobre o estigma que paira sobre determinadas substâncias, enquanto outras, como o café e o álcool, são culturalmente disseminadas.

No Palácio Avenida, que representa a sede de uma grande instituição financeira, o debate girou em torno de como as drogas podem constituir um meio de fuga e de alienação, uma espécie de anestesia. Encerramos a caminhada em um ponto na Praça Osório onde hoje o Departamento de Política Sobre Drogas da Prefeitura de Curitiba desenvolve um projeto considerado inovador, que leva os serviços mais básicos (higiene, pronto socorros, biblioteca, arte, esportes etc) aos usuários de drogas que estão em situação de extrema vulnerabilidade.

Uma das contribuições foi uma experiência compartilhada, que uma viagem de bicicleta começou a chover forte e o grupo não conseguiria chegar até o alojamento previsto e foram solicitar abrigo (colocar as barracas) no terreno de uma igreja e de uma escola e não receberam apoio, foram até um bar e o dono fez churrasco e os recebeu muito bem. A discussão foi de como nos como sociedade nos comportamos e nos relacionamos com as pessoas. No final, todos nos reunimos para confraternizar e usar juntos uma droga bastante disseminada na sociedade brasileira: o café!

Our walk aimed to reflect on drugs in our city and to spark an interrogation of the overly simplified popular understanding of drug substance abuse. Problems related to drug use can be extremely complex and attributed to a variety of factors. We observed the ways in which a city, when not successfully planned to its full potential, can invite the development of harmful and destructive habits. Everyone who attended this walk was interested in discussing social behavior and the ways in which our municipality and society are dealing with this issue.

We began at the Guaíra Theatre, one of the largest in Latin America and an important Curitibano cultural center. Here, we reflected on the link between drug use and lack of access to cultural activities. Cultural recreation often provides citizens with fulfilling alternatives to drug use and a lack of access to these resources can prove to be quite harmful.

We also wanted to prompt a similar discussion about the lack of access to education. We stopped at the Federal University of Paraná (UFPR), where we spoke about the need for drug education that delivers information seriously and honestly, especially to youth and families who are especially vulnerable. We then made our way to the Cathedral of Curitiba, discussing problematic drug use and its relationship with spirituality along the way. Afterwards, we walked next door to the Café do Paço da Liberdade, where we spoke about the stigma that looms over certain substances, while others like coffee and alcohol are generally accepted.

At the Palácio Avenida, a location that represents the headquarters of a large financial institution, the discussion turned to the way drugs can become a type of anesthesia, facilitating escape and isolation. We finished our walk at Osório Square where the Curitiba Department of Drug Policy is developing an innovative project to bring basic services (hygiene, first aid, education, and recreation) to drug users considered to be most vulnerable. One of the participants said, “We only look at drug abuse as a disease when we should also be looking at it as a social problem.”

At the end we planned on taking a bicycle trip together as a group, but it soon began raining heavily and we were unable to reach our destination. We tried to seek shelter at a church and a school, but didn’t have any luck finding cover from the rain. We ended up at a bar where we were warmly welcomed by the owner, who prepared us some delicious BBQ. Fueled by our adventure, the discussion turned to how we interact and relate to each other as a society. We all reunited to spend some time together and indulge in a drug widely used in Brazilian society: coffee!