O Futuro do Setor Pedro Ludovico Teixeira

///O Futuro do Setor Pedro Ludovico Teixeira
O Futuro do Setor Pedro Ludovico Teixeira 2017-10-02T19:28:46+00:00

May 2014

Walk Leader: Ester Emídio of murAU de Ideias
Text by: Ana Carolina Carvalho Farias
Photographs by: André Gonçalves

Para conduzir o segundo passeio do Festival JW 2014, a Sobreurbana convidou o murAU de Ideias, um grupo de pessoas que se reunem periodicamente para discutir sobre os problemas urbanos de Goiânia. O passeio aconteceu nos arredores do Jardim Botânico, no Setor Pedro, região que hoje é alvo de uma Operação Urbana Consorciada, apresentada à prefeitura pelas empresas imobiliárias da cidade. A proposta é adensar e verticalizar o entorno do maior parque urbano de Goiânia, ameaçando sua preservação ambiental e podendo alterar radicalmente a dinâmica de vizinhança de um dos bairros mais tradicionais da cidade. O passeio teve a participação de moradores locais e pessoas de outras partes da cidade, interessados na possibilidade de discutir sobre os rumos do bairro. Alguns dos participantes nunca tinham ido ao Jd. Botânico e não conheciam a vitalidade do St. Pedro, último bairro construído durante a implantação da cidade, quando aquela região era marginalizada, tendo atraído famílias humildes das quais muitas permanecem lá até hoje. O St. Pedro foi historicamente esquecido pelas gestões municipais da cidade e o Jd. Botânico esteve quase sempre sucateado. Não por acaso agora aparece a bondade das empresas imobiliárias com um ‘plano de salvação’ para o bairro. O projeto ainda não foi apresentado publicamente mas, seguindo a lógica vigente de produção do espaço urbano em Goiânia, podemos prever a construção de altas torres residenciais para a classe média alta, que vão drenar o lençol freático e expulsar a população tradicional do bairro que não conseguirá suportar o ‘desenvolvimento’ local. Assim, a discussão nesse JW foi sobre o tipo de bairro que queremos, fortalecendo o envolvimento comunitário no assunto. Do questionário aplicado pela Sobreurbana, tiramos conclusões interessantes: perguntados sobre o que lhes vem à mente quando pensam naquele bairro, os participantes responderam com as palavras comunidade, tradição, lar e a percepção de que o bairro é um dos últimos ainda não destruídos pela especulação imobiliária. As respostas ainda registraram a urgência de defender o bairro, deixando claro que a população está atenta e sabe o tipo de ambiente onde quer morar. Que a cidade consiga tomar a melhor decisão!

To conduct the second tour of the JW Festival 2014, Sobreurbana invited muRAU de ideas, a group who meet periodically to discuss urban problems of Goiânia. The tour took place in the neigborhood of the Botanical Garden in Sector Pedro, a region which today is the subject of an Urban Operation presented to the mayor by real estate companies from the city. The proposal is to thicken and verticalize the surroundings of the largest urban park in Goiânia, threatening its environmental preservation and altering the dynamics of one of the most traditional neighborhoods in the city. The tour was attended by local residents and people from other parts of the city, interested in discussing possibilities for the future of the neighborhood. Some of the participants had never been to the Botanical Garden and did not know the vitality of the Sector Pedro, the last neighborhood built during the deployment of the city, when that region was marginalized and attracted humble families, many of which remain there today. Sector Pedro was historically overlooked by the municipal administrations while the Botanical Garden has almost always been scrapped. It is no coincidence that the real estate companies appear with a ‘plan of salvation’ for the neighborhood. The project has not yet been presented publicly, but following the logic of the current production of urban space in Goiania, we can predict the construction of high residential towers for the upper middle class that will drain the ground water and expel the traditional population of the district who will not be able to support ‘development’ site. Thus, the discussion in JW was about the kind of neighborhood we want and the strengthening of the community involvement in the matter. From the questionnaire applied by Sobreurbana, we took interesting conclusions: we asked what comes to mind when they think about that neighborhood and participants responded with the words community, tradition, home and the perception that the neighborhood is one of the last ones to resist to the real estate speculation. The answers also alerted the urgency to defend the neighborhood, making it clear that the population is aware and knows the type of environment where they want to live. It’s up to the city to take the best decision!